Ana Paula da Silva (PDT): inimiga ou rainha?

Já deu de comentários sobre o decote da mulher, certo? Solteira, de 40 e tantos anos de idade, chegando produzidaça mostrando o corpo não é problema de ninguém. O debate não devia nem ter começado, muito menos quando envolve a palavra com P, que pertence apenas às próprias pessoas que se auto-identificam e se empoderam com ela.

O que não podemos fazer é deixar o feminismo ser apropriado por pessoas que se propõem fortalecer a hegemonia patriarcal, branca e capitalista.

Ana Paula da Silva (PDT) visa combater ou fortalecer o status quo? Supere o peito e ouça as palavras. Devemos lembrar que ela é politica, portanto fala o que o povo quer ouvir, não necessariamente cumpre promessas, e depende completamente do bom funcionamento do mecanismo estatal, mesmo quando é liderado pela oposição.

Como partido, o PDT tem muito a ganhar com essa polêmica. Numa conjuntura extremamente conservadora (machista), e um povo em grande parte critico à atual liderança, criar uma imagem feminista é eficaz para chamar a atenção de todos e todas que visam um estado “mais de esquerda”.

Nas politicas públicas, ela representa resistência ou complacência? Em uma entrevista, Paulinha fala claramente que, enquanto não votaria para Bolsonaro, acredita que “o Estado tem que funcionar”. Além disso, ela se considera amiga do advogado Jorge Bornhausen, independentemente de diferenças ideológicas.

Esse homem foi filiado à ARENA, o partido que “sustentava o Regime Militar“. É complicado falar que “amigos não tem fronteiras” e superam divergências politicas, quando esse mesmo amigo literalmente financia sua campanha.

Não apresento respostas, o campo politico está tumultuoso demais para soluções diretas e claras. Mas podemos desenvolver um olhar mais critico em relação à mídia para não cairmos em armadilhas. Não se deixe distrair por objetos cintilantes, ou decotes extravagantes. Deixe a militância onde ela pertence, nos corações da verdadeira resistência.

 

texto: Mirna Wabi-Sabi

#2

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Evento – Salvador -Rafael Almeida | Rauan Fernandes | Alice Medeiros | Fernanda Kétsia | Diego Peña | Daniel Knp | Simone Almeida Souza | Debora Molina | Mirela Fonseca | Bruno Marchena | Lanussi Pasquali | Talitinha Andrade | Roberta Nascimento |

Publiée par Mirna Wabi-Sabi sur Samedi 8 décembre 2018

 

Escobar bahia #ainimigadarainha

Publiée par Mirna Wabi-Sabi sur Samedi 15 décembre 2018

 

Matéria: OganPazan

Livros Clandestinos: Anarquismo não é Terrorismo

Parece que dês de 2013, o Governo Brasileiro está desesperadamente tentando achar justificativa pra criminalizar movimentos autônomos organizados que visam drásticas mudanças sociais. O sensacionalismo da mídia e os defensores do status quo pintaram uma imagem da ideologia anarquista em geral como interessada somente em completo caos e destruição. Walter Maierovitch, em seu pedante discurso no Fantástico, acusa anarquistas de ter o principal interesse de destruir a paz e a ordem social, e difundir o medo. Em que planeta o sujeito vive que ele genuinamente acha que temos ordem e paz nesse sistema governamental?, um sistema genocida que se, por sinal, oficialmente decidir criminalizar uma ideologia política será incontestavelmente fascista.

Publicações ilegalizadas e prisioneiros politicos serão fortemente contestados localmente e internacionalmente, não passará levemente. Nosso movimento político permanecerá forte e unido, porque não somos influenciados pela mentira e manipulação da mídia, ou pelo terror difundido pelo governo e pela policia. Terror, medo e caos são interesses deste governo corrupto que rouba, prende e mata em nome da elite. Na revista A Inimiga da Rainha discutimos exatamente esse tópico e não temos nada o que esconder, ali está claramente o que o Anarquismo significa para nós, como aplicamos nossa ideologia, e porque lutamos para gerar drásticas mudanças sociais.

Desde quando a lei é venerada por alguém nesse país? Os que formatam e reforçam leis (políticos, juízes, advogados, e policias) são os que mais a desrespeitam. Enquanto a aplicação da lei se mantém seletiva, injusta, violenta e fascista, manteremos nosso direito de protestar estes problemas, e lutar pra achar e aplicar soluções.

“Assim como os nativos foram demarcados bichos selvagens pra justificar sua exploração, também são aqueles que buscaram guerrilhas sociais, terroristas, ou traficantes de drogas, ou qualquer que seja o termo atual da arte.”(Piero Gleijeses, como descrito por Noam Chomsky)

Uma situação anárquica não é terror. Terror é a situação desse Governo.

“[Um] documento supostamente secreto de 1969 forjado pela CIA chamado “A situação no Brasil” descreve a continuidade de manipulação política dos Estados Unidos, e elogia o desenvolvimento econômico trazido pela ditadura militar. Eles (apoiadores do documento, que de fato eram todos homens) descrevem os sintomas preliminares de insurgência como “terrorismo urbano esporádico”, executado por “fanáticos revolucionários” “desorganizados” e “fracos”. Ao mesmo tempo, a “desmoralização”, “censura”, e “opressão” da oposição é considerada apenas uma estratégia eficaz de prevenir a ascensão de um símbolo de resistência” (Artigo Sobre o terrorismo do Estado, e sua ferramenta genocida de controle social nA Inimiga da Rainha)

Agora mais do que nunca acredito que devemos alcançar uma audiência mais abrangente, manter espaços, e nos apoiar. Com isso podemos mostrar que esses termos usados contra nós (quadrilha, terrorista) são claramente tentativas de demarcação pra justificar o ato fascista de abafar e aprisionar uma força de oposição.

A Inimiga da Rainha

A Inimiga da Rainha é uma nova revista anarco-feminista interseccional, autogestionada, e baseada em Salvador (apesar de ter contribuidores e contribuidoras em outras partes do mundo). O nome é uma referência ao [jornal] Inimigo do Rei, e uma ênfase na presença feminina no anarquismo, porque não só homens são revolucionários da mesma forma que não só homens são reacionários.

Valorizamos a irmandade entre mulheres, e acreditamos no apoio entre feministas. Mas também achamos importante apontar a nossa oposição a um certo feminismo reacionário, que é uma apropriação neo-liberal do termo, exemplificado pela Rainha. Preferimos abolir hierarquias e cultivar a Rainha dentro de cada uma de nós.

Visamos um feminismo que apoia e incorpora a luta da comunidade trans, pobre, negra, e indígena. Lutamos contra o ‘feminismo’ cooptado pelo Capitalismo e pelo Estado. Não basta lutar contra o Estado, lutamos também contra o patriarcado, a supremacia branca, Capitalismo e o neo-colonialismo.

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